O poder da autocompaixão: como ser mais gentil com você?

Tá tudo bem! Se ninguém nunca te disse, eu digo. Sim, você tem a permissão de ser um pouco mais gentil com você mesmo. Muitas pessoas ainda acreditam que ser autocrítico e duro consigo mesmo é algo bom. Que ter autocompaixão é o mesmo que sentir pena de si mesmo. 

Curtir o fracasso, se punir diante de uma falha e se culpar não fará de você uma pessoa melhor, pelo contrário, vai sempre alimentar aquela sensação de que não sou o bastante.

“Ah… Não sou o bastante. Essa dúvida constante. Por mais que faça, resolva, conclua, me entregue, me dobre e desdobre, ainda não sou o bastante!

Junto com o não sou o bastante vem o vazio que se torna presente e cada vez mais vibrante. Esse vazio que neutraliza, deixa tudo morno, sem cor, sem brilho e frio!

Esse vazio que te distancia de si próprio, dos seus valores, dos seus amores e que te diminui, mas que você sabe como ninguém alimentar.

O vazio te entristece e faz você acreditar que esse é o fim. Ai de repente vem um suspiro. Quase que como um rompante, me torno consciente e me permito me oferecer um olhar diferente.

Me enxergo como um bom amigo, com mais equilíbrio. Descubro que, com os recursos que tenho, o meu bastante é o suficiente. Que no momento presente TÁ TUDO BEM.” 

Ligia Costa

Não existe perfeição sem falhas

Ser competitivo e nos esforçarmos ao máximo para concluir as coisas ainda é visto como única opção na busca pelo sucesso profissional.

Não errar, atingir a excelência e a perfeição sem falhas faz com que o nosso nível de exigência seja muito alto. Isso nos gera sofrimento. 

Não existe perfeição sem falhas. Não existem conquistas sem erros. Não existem vitórias sem esforço. Para que tanta exigência e dureza?

Por que essa mentalidade fixa de que temos que nos punir e sofrer tanto quando não atingimos o resultado esperado?

Será que é possível ter alta performance, ser realizado profissionalmente, ter sucesso em sua carreira e obter conquistas profissionais com mais equilíbrio?

A resposta é sim! Pratique a autocompaixão. Ela pode ser o segredo para construirmos resiliência e coragem para encarar o fracasso com mais leveza.

A autocompaixão é uma competência e ajudará você a fugir da mentalidade fixa. A aprender a encarar seus erros com um olhar otimista e curioso, para tentar novamente com ainda mais entusiasmo. 

O que é a autocompaixão?

Autocompaixão é entender que está tudo bem falhar, que é parte de ser humano enfrentar momentos de dificuldade, de erros e fracasso.

Não é privilégio de alguns. Todos os indivíduos, sem exceção, independente de raça, religião, gênero… Todo ser humano em algum momento da sua vida já errou ou vai experimentar falhas.

Ter autocompaixão é entender que você pode ser gentil consigo mesmo e não precisa se chicotear e se culpar absurdamente quando algo não acontecer do jeito planejado. 

Eu sei que temos medo de “pegar leve” com a gente mesmo. Como sou capaz de aceitar uma falha e achar que tá tudo bem?

Vão achar que sou antiético, que sou displicente, que não me preocupo com meu trabalho, que sou despreocupado. Como aceitar e achar que tá tudo bem errar? Que loucura é essa de autocompaixão? 

As pesquisadoras Breines & Chen, em 2012, determinaram que “autocompaixão pode aumentar a motivação de autoaperfeiçoamento, uma vez que encoraja as pessoas a enfrentar os seus erros e fraquezas sem autodepreciação e sem um auto-engrandecimento defensivo”.

O grande segredo está na história que você deseja contar a si próprio sobre a sua falha. Muita gente ainda associa o termo autocompaixão como sinônimo de ter pena de si mesmo.

Ou até a um sentimento de fracasso e fraqueza. Por isso, o primeiro passo para ser uma pessoa mais compassiva consigo mesma é entender que a autocompaixão é diferente da autoestima.

Essa última pode causar narcisismo, evitando também confundir o conceito com a autopiedade.

Você é seu melhor amigo

Segundo a autora do livro “Autocompaixão”, Kristin D. Neff, “a autocompaixão envolve tratar a si mesmo como faria com um amigo”.

Essa ideia permite que você tenha mais atenção e entendimento da sua situação em um contexto maior de experiência humana. Errar é humano! 

Somos todos humanos e vamos errar muitas vezes. Que tal olhar para essa falha e, em vez de se olhar como sendo seu maior inimigo, se enxergar como seu maior amigo? Que tal trocar a culpa por um pouco mais de compreensão e aceitação?

Quando você se torna mais compreensivo e gentil consigo mesmo, você escolhe vivenciar com menos intensidade as emoções que permeiam seus erros.

Em especial aqueles relacionados ao trabalho. Ao contrário do que se pensa, essa atitude grandiosa de aceitação nos ajuda a superar mais rapidamente a falha e criar uma visão de futuro.

Sabe aquele feedback difícil de processar ou aquele detalhe importante que você deixou passar e perdeu um prazo?

Sabe aquele dia em que você não conseguiu fechar a melhor negociação, que você gaguejou na apresentação?

Talvez o dia que você não chegou a tempo na apresentação da escola do seu filho, esqueceu do aniversário do seu irmão, enfim… Eu citaria milhares de exemplos, afinal, os meus erros também são os seus, somos humanos.  

Quando você desenvolve a autocompaixão, você cria um modelo mental no qual passa a evitar a autodepreciação. Assim, torna-se capaz de enxergar aquela situação de erro como oportunidade de aprendizado.

Fica mais fácil de entender que falhar faz parte da vida, o que torna você mais forte, mais resiliente e mais bem sucedido a longo prazo. 

Como já disse Sri Sri Ravi Shankar, o estado da sua vida depende do seu estado da sua mente. Então seja mais gentil com você mesmo. 

Por que a autocompaixão é uma escolha mais inteligente à autocrítica?

A especialista em autocompaixão, Kristin Neff, já realizou diversos estudos que comprovam cientificamente como essa prática está relacionada a vários aspectos da vida humana.

Em um deles, foi apontado que a prática frequente da autocompaixão está ligada a alcançar objetivos com mais sucesso em contextos de aprendizagem. 

Os resultados também sugerem que o indivíduo que é mais auto-compassivo se sairá melhor em enxergar o fracasso como uma oportunidade de aprender e focar com mais facilidade em concluir as tarefas necessárias. 

Dados mostram que a autocrítica, na verdade, aumenta a vulnerabilidade e as reações mais emocionais quando é necessário lidar com o fracasso. 

Isso torna mais difícil assimilar os possíveis aprendizados que podem ser tirados da situação. Mas existe uma alternativa muito melhor à autocrítica: a autocompaixão. 

Os benefícios da autocompaixão

Gravei um vídeo sobre o poder que a prática da autocompaixão pode ter na sua vida. Dê o play e comece a praticá-la!

No ambiente de trabalho, ter a habilidade socioemocional da autocompaixão faz de você um profissional presente, atento, motivado a crescer e resiliente. 

Viver no “piloto automático” e distraído do seu momento presente faz com que muito facilmente você se deixe levar pela negatividade e pela cobrança.

Especialmente em situações que saem do controle no escritório ou que não acontecem como o planejado. Sem perceber, estamos mergulhados na vitimização e abduzidos por problemas.

Com presença, a prática de mindfulness e da autocompaixão no seu dia a dia profissional, é mais fácil enxergar o erro como parte natural do processo.

Não evitar os erros, mas, sim, entender que fracassar não é o fim do mundo. É somente um dos caminhos inevitáveis que o levarão a ser o melhor profissional que você pode ser. 

Ser mais gentil consigo mesmo permite que você não se deixe definir pelas falhas e fracassos que acontecem, sejam eles pessoais ou profissionais. Aceitar os fatos motivará você a crescer e aprender com os outros. Está tudo bem errar, é só um erro!


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Não é fácil pensar desta forma, é um treino e um processo e você precisa saber respeitar o seu tempo. Quando fui demitida, um dos sentimentos constantes no começo foi a sensação de ter cometido o maior fracasso da minha vida.

Quando não estive com minha filha no aniversário dela, me senti a pior mãe do mundo. Já vivi dias em que não dei conta de todas as tarefas, me senti incompetente.

Várias vezes minhas estratégias não davam certo e eu tinha vontade de parar tudo, achando que estava fazendo tudo errado. 

Treinar autocompaixão me ajuda a lidar com todos esses momentos difíceis e muitos outros com mais clareza da realidade. Me permite entender que tá tudo bem, faço o melhor que posso fazer e isso é suficiente.

Quanto mais presente, mais autoconsciente eu sou das minhas necessidades. Quanto mais entendo que sou um ser humano em constante aprendizado, mais aceito e compreendo que posso me tratar com respeito, amor e leveza. 

Esse autorrespeito é uma escolha que me motiva e me faz ser melhor a cada dia. Entendo que a melhor forma de lidar com os erros e fracassos é ter a autocompaixão necessária para transformá-los em aprendizados em vez de me martirizar por eles.

Como desenvolver a autocompaixão?

Existem algumas técnicas que você pode introduzir no seu dia a dia para desenvolver a sua autocompaixão. Uma delas é utilizando a técnica da escrita reflexiva – ou journaling

Ao vivenciar uma situação difícil, pegue papel e caneta e escreva sobre o que aconteceu como se fosse um amigo aconselhando você acerca de qual direção seguir. Faça uma escrita sem filtro, usando de 3 a 5 minutos e depois releia o que escreveu.

Por estar dentro do campo de habilidades socioemocionais, um dos caminhos possíveis para desenvolver a autocompaixão é através da meditação mindfulness.

Você pode começar hoje usando a nossa prática gratuita de autocompaixão e autorrespeito que gravei para você!  Clique aqui para baixar e praticar!

Autocompaixão é uma escolha, é um olhar gentil e curioso para como vamos lidar com nossos erros e fracassos que vão sempre existir.

Meu convite é para que você se culpe menos e leve com mais leveza os aprendizados que levamos dessa vida! 


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Lígia Costa é empresária e especialista em planejamento.

LIGIA COSTA

Sou formada em Marketing pela Universidade Mackenzie, pós-graduada em Gestão Organizacional e em Relações Públicas pela Universidade de São Paulo (USP).

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